SETÚBAL: Semana do Mar e do Pescador regressa para homenagear “actividade identitária da cidade”

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Evento pretende valorizar e dar a conhecer a importância social, cultural e económica que o mar e a actividade piscatória têm na região. Inclui mostras gastronómicas, espectáculos musicais, exposições, passeios fluviais, acções de sensibilização, entre outros

 

As tradições marítimas de Setúbal, a arte e a gente da pesca vão ser homenageadas, entre 27 de Maio e 4 de Junho, com a 2.ª edição da Semana do Mar e do Pescador, iniciativa que pretende valorizar a actividade identitária da cidade.

Para Carla Guerreiro, vereadora das Actividades Económicas na autarquia, a Semana do Mar e do Pescador é “mais um contributo para que se entenda o papel determinante do mar e dos pescadores em Setúbal”, principalmente tendo em conta que esta actividade é “uma factor importantíssimo da nossa identidade”. Ideia que é partilhada por Rui Canas, presidente da União de Freguesias de Setúbal, para quem a pesca, mais do que uma simples actividade profissional, “é um elemento da identidade setubalense, de passado, de presente e de futuro. Ser pescador é um modo de vida.”

Este evento vai contar com mostras gastronómicas, espectáculos musicais, exposições, passeios fluviais, acções de sensibilização, entre outros. Também para Rui Canas, esta aposta, que teve a sua primeira edição o ano passado “superou todas as expectativas”, pelo que este ano não só se repete o vento, como há um programa “mais ambicioso e abrangente comparativamente à edição anterior”.

No primeiro dia de certame, sábado, 27 de Maio, destaque para a inauguração da exposição de fotografia “Proas do Sado”, às 17h000, junto dos cacifos de pesca, na Avenida José Mourinho. Meia hora depois, acontece uma degustação de hambúrguer de cavala, e às 19h00, há momentos culturais “Sado Inspira”.

No dia seguinte, domingo, 28 de Maio, às 08h00, realiza-se uma missa de homenagem aos pescadores, na Igreja de São Sebastião.

Já na terça-feira, dia 30, pelas 11h00, é inaugurada a mostra de artes plásticas “Arte com Sabor”, patente no Mercado do Livramento. Às 14h30, no mesmo local, tem lugar a sessão de apresentação e esclarecimento sobre o Mar2020 “Fundos Comunitários para o desenvolvimento regional costeiro da Península de Setúbal”.

O Dia Nacional do Pescador, assinalado na quarta-feira, 31 de Maio, e um dos momentos altos do programa, inicia-se às 10h30, com a deposição de flores no Memorial ao Pescador Setubalense Desaparecido, no Cemitério de Nossa Senhora da Piedade. Às 16h00, alunos de escolas do concelho visitam a lota, local no qual é realizada uma simulação de leilão tradicional e electrónico de pescado. Meia hora depois, no edifício da DocaPesca, realiza-se a sessão “A Pesca e a Cidade”, de homenagem aos pescadores setubalenses. Por volta das 18h30, decorre no Parque Urbano de Albarquel, o lançamento da nova imagem gráfica das conservas da Sesibal, momento que inclui uma degustação desta iguaria.

Na quinta-feira, 1 de Junho, das 10h00 às 12h00, no Mercado do Livramento, há aulas de culinária ao vivo, numa acção que procura divulgar o pescado nacional, concretamente a cavala e o carapau.

No sábado, dia 3, acontece uma tertúlia sobre “Qual o lugar da pesca profissional em Setúbal?”, com início às 17h00, no Parque Urbano de Albarquel.

O último dia das comemorações, domingo, 4 de Junho, tem as actividades centradas no Parque Urbano de Albarquel, onde às 10h00, há a “Corrida de Botes a Remos”, a que se segue, ao meio-dia, um almoço-convívio comemorativo do Dia do Pescador com música pelo grupo Cantares do Sado.

O programa inclui ainda outras actividades que se prolongam por vários dias. De 27 de Maio a 4 de Junho, há a “Mostra de Tradições Marítimas”, no Parque Urbano de Albarquel, que inclui todos os dias, das 12h00 às 24h00, a iniciativa “Petiscos com sabor a mar” confeccionados por pescadores. Também de 27 de Maio a 3 de Julho, entre as 10h00 e as 15h00, realizam-se os passeios no rio Sado na embarcação “Maravilha do Sado”, a partir da Doca dos Pescadores. Já de 29 de Maio a 2 de Junho, às 09h00 e às 11h00, tem lugar a actividade “Pradarias Marinhas: um ninho no fundo do estuário”, com acções de sensibilização acompanhadas por bióloga marinha e pescadora, para alunos do 4.º ano, a bordo da embarcação “Maravilha do Sado”.

Do evento fazem também parte espectáculos musicais no Parque Urbano de Albarquel, a partir das 21h00. A 27 de Maio actuam os Os Massacotes”, a 28 Susana Martins e Carla Lança, a 29 Amigos do Xico da Cana, a 30 Deolinda de Jesus Quarteto, e a 31 Jorge Nice. A 1 de Junho, actuam as tunas académicas EsTuna e Tuna Sadina, a 2 é a vez de Os Alcorrazes, e no dia 3, há outro espectáculo com nome a anunciar.

A Semana do Mar e do Pescador 2017 é organizada pela Câmara Municipal de Setúbal em pareceria com a União de Freguesias de Setúbal, e conta com o apoio da ADREPES – Associação de Desenvolvimento Regional da Península de Setúbal, da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, da Associação da Família do Mar de São Sebastião, da Azul Bissexto, da Bivalmar, da DocaPesca, da Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal, da Ocean Alive, da Sesibal e da SetúbalPesca.

Sector com problemas

Durante a apresentação do evento que decorreu ontem de manhã, na Casa da Cultura, os problemas que actualmente afectam os sectores não foram esquecidos. Rua Canas falou de um “sector desvalorizado”, que tem tido “politicas contrárias ao seu desenvolvimento”, enumerando alguns destes problemas, como por exemplo, o problema do envelhecimento da classe piscatória paralelamente à cada vez maior sofisticação e exigência dos meios a quem estas pessoas com mais idade têm dificuldade a responder, ou o sistema “medieval” de lotas que muitas vezes não asseguram o retorno necessário, pelo que nesta actividade só ficam assim os “mais resistentes”. Paralelamente, Carla Guerreiro, frisou o compromisso municipal de valorização deste sector económico, destacando o investimento que Câmara Municipal de Setúbal lhe tem feito nos últimos anos, afirmando ainda estar incondicionalmente “ao lado dos pescadores, sempre consciente das necessidades e dificuldades de uma classe profissional puramente setubalense”. Porém, advertiu que o esforço não pode partir apenas do município: “O país tem de apostar mais na produção nacional e, naturalmente, a pesca é uma das áreas que mais sentido faz apoiar. O sector precisa de novos incentivos e de maior atenção para recuperar da operação de destruição organizada de que a frota pesqueira foi alvo nas últimas décadas”, frisou.

 

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