Cinema Teatro Joaquim d’ Almeida comemora 60 anos com 7.ª Arte

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Uma viagem cinematográfica pelos quatro cantos do mundo marca o regresso da Sétima Arte ao Cinema Teatro Joaquim d’Almeida (CTJA). O ciclo de cinema Filmes do Mundo é um evento que decorre ao longo do ano, na principal sala de espectáculos do Montijo que comemora o seu 60º aniversário. Na última sexta-feira de cada mês, até Novembro, o cinema internacional tem encontro marcado neste espaço

Ana Cruz

O Cinema Teatro Joaquim d’ Almeida “era conhecido nos seus tempos áureos pelas sessões de cinema”, conta Ana Lopes, directora do CTJA desde 2012. No entanto, actualmente não é costume realizar-se sessões de cinema neste espaço. Com a iniciativa Filmes do Mundo, o CTJA pretende iniciar uma nova fase de programação para o futuro, procurando também recuperar a importância que o cinema tinha no seu passado.

A ideia de fazer um ciclo de cinema internacional surgiu a partir das histórias que as pessoas com mais idade iam partilhando sobre as sessões de cinema que assistiram no CTJA. “As pessoas falavam das memórias do tempo em que vinham a sessões tanto de filmes Western, como de filmes indianos, culturas bastante distintas”, explica a directora. Isto inspirou-a a reavivar essa memória do século passado.

A responsável revela que começou por pensar em fazer um ciclo de cinema português mas, com o relato das recordações das sessões indianas que outrora se realizavam naquele espaço, quis ter a oportunidade de passar filmes deste país. Assim, tentando conciliar o cinema português com os filmes indianos decidiu “abrir as portas para o mundo”.

Nos últimos três meses foram exibidos filmes vindos da Palestina, do Brasil e do Japão.

O Cinema Teatro Joaquim d’Almeida encontra-se também integrado no projecto internacional “A Manual on Work and Happiness”, liderado pela Artemrede. Segundo Ana Lopes, este projecto trata da relação entre o trabalho e a felicidade. Neste âmbito, “tem sido muito trabalhada a ideia de abrir as portas para o mundo”.

Além de o cinema apresentado neste evento ser internacional, é também independente. De acordo com a directora, esta é uma forma de haver uma alternativa ao cinema que normalmente passa nos grandes ecrãs. O cinema independente é uma forma de conseguirem ter uma oferta diversificada e de marcar a diferença.

Ana Lopes confessa que um dos seus maiores receios era ter pouca adesão, pois considera que “os temas dos filmes não são para o grande público”. O número de espectadores tem vindo a subir com o decorrer do evento. Na primeira sessão assistiram cerca de 30 pessoas, enquanto que na terceira, no mês passado, perto de 50. Admite que tem sido surpreendida pela positiva, acreditando que vale a pena continuar.

Os filmes que Ana Lopes seleccionou, explica, tratam de assuntos actuais e importantes sobre os quais as pessoas devem debater. Diz sentir-se feliz quando as pessoas saem de um espectáculo ou de uma sessão de cinema e sentem que têm abertura para poder falar sobre aquilo que viram. “Se isso acontecer durante este ciclo de cinema, eu fico completamente satisfeita”, confessa.

Arte ao serviço do público

A directora expõe a sua vontade de conseguir fazer do CTJA um espaço de referência nas artes no Montijo. Acredita que se deve “lutar pela arte enquanto arte, mas também enquanto serviço público”. O CTJA é uma sala municipal, pelo que surge associado à noção de serviço público. É também a única sala de espectáculos da cidade, sendo um espaço importante para o contexto artístico e cultural local.

O cinema-teatro pretende “prestar às pessoas na localidade o acesso à cultura de forma diversificada”. Além do ciclo de cinema Filmes do Mundo, que se prolonga por todo o ano, o CTJA está a preparar uma temporada especial de programação para a comemoração do seu aniversário.

Ana Lopes lembra que existem dois momentos que marcam a abertura do cinema-teatro ao público, em 1957. A inauguração oficial foi no dia 20 de Outubro, mas o primeiro espectáculo a ser apresentado foi no dia 6 de Novembro. Assim, as comemorações decorrerão nestes dois meses. A directora revela que a sua ideia consiste na apresentação de “espectáculos multidisciplinares, pois a programação do cinema-teatro sempre foi muito variada”.

Espera-se que no dia 14 de Agosto – dia em que se assinala a elevação de Montijo a cidade -, existam condições para começar a divulgar essas comemorações.

Enquanto a programação das comemorações das seis décadas de vida do CTJA não é anunciada, o ciclo de cinema Filmes do Mundo continua. “Variações de Casanova”, uma co-produção portuguesa, francesa, austríaca e alemã é o próximo filme a ser exibido no dia 28 de Abril, às 21h30. “Um filme-ópera que capta o mito do maior sedutor de todos os tempos, Giacomo Casanova”, lê-se na brochura do evento.

A programação do ciclo de cinema Filmes do Mundo pode ser consultada em: https://issuu.com/cmmontijo/docs/brochura_filmes_do_mundo_issuu.

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