Aeroporto do Montijo e as trapalhadas de Nuno Canta

Opinião
Joao Afonso

Joao Afonso

Candidato à presidência da Câmara Municipal de Montijo
PSD/CDS-PP
Muito Mais Montijo
Joao Afonso

O recente debate televisivo sobre o novo aeroporto que ocorreu no programa da RTP 1 Prós e Contras ficou marcado por dois factos relevantes, a saber:

1- O actual presidente de Câmara Nuno Canta chamado a pronunciar-se sobre os méritos da opção Montijo balbuciou umas coisas, sem sentido, ao ponto da jornalista lhe ter retirado a palavra e não mais a conceder;

2- O presidente da Câmara de Montijo Nuno Canta, segundo se sabe, foi à última hora retirado do painel e substituído pelo Ministro Pedro Marques;

Estes dois episódios revelam que não só o Partido Socialista não confia nas capacidades políticas do actual presidente Nuno Canta como essas incapacidades ficaram bem expressas na sua única e infeliz declaração tida no referido programa televisivo.

Se Nuno Canta estivesse devidamente preparado para defender a construção do aeroporto no Montijo teria dito que a opção Montijo é a que mais defende os interesses nacionais, da região e do Montijo porquanto: É um investimento muito menor e inteiramente suportado pela ANA,   a Base do Montijo está próxima de Lisboa,  há fáceis acessos à Ponte Vasco Da Gama, o uso da Base permite duplicar a capacidade do aeroporto, a Ponte Vasco da Gama permite acomodar todo o novo tráfego,  irão ser criados milhares de novos postos de trabalho com enorme impacto no concelho do Montijo e concelhos vizinhos,  este novo equipamento permitirá aumentar consideravelmente o investimento privado no Montijo e restantes concelhos, etc, etc.

Mas as trapalhadas de Nuno Canta sobre esta matéria não ficam por aqui! Não podemos esquecer que pelo menos até finais de 2014 o actual presidente foi um fervoroso opositor da actual solução Montijo tendo, entretanto, mudado de opinião sem qualquer explicação e que em 2015 o então Governo propôs à Câmara Municipal de Montijo a assinatura do memorando de entendimento sobre o aeroporto na Base de Montijo mas, por razões ainda não totalmente esclarecidas, Nuno Canta não assinou o memorando de então mas aceitou que o actual memorando fosse assinado em 2017 entre o Governo e a ANA sem a participação da Câmara de Montijo. Ou seja, Nuno Canta não só contribuiu para atrasar o processo dois anos como aceitou que a Câmara de Montijo fosse afastada do processo pelo actual governo Socialista.

Ficam as perguntas: Como podemos confiar nas capacidades de Nuno Canta para liderar aquele que poderá vir a ser o maior investimento das próximas décadas se nem o seu próprio partido e Governo socialista confiam? Como podemos confiar em Nuno Canta quando este revela tanta impreparação?

One comment

  1. Uma das falácias de quem apresenta como boa, uma decisão errada e prejudicial como o aeroporto no Montijo é o facto de gerar “muitos empregos”. Ora isso é outra falsidade, avançam com números completamente e propositadamente errados para 2050 só para impressionar, de um modo geral em todos os projetos de aeroportos falam sempre na “fórmula” (pmpa) isto é 1000 empregos por cada milhão de passageiros/ano, contudo depois na prática olhamos para estudos que contem números á posteriori, e o que se verifica, são números menos otimistas . Deixo-vos aqui alguns factos, para cada um tirar as suas conclusões. Vamos comparar por exemplo com o Aeroporto de Frankfurt um dos maiores aeroportos da Europa, movimentava em 2014, 55 milhões de passageiros por ano, e em 2003 para os 48 milhões de passageiros por ano apresentava um quantitativo de empregos diretos e indiretos de 2955, (fonte Graham 2001, in Van Wijk 2007. Se observarmos o estudo da Rolan Berger, afirma-se que em 2028 o Montijo apresentará 5 milhões de passageiros ano, apenas com a adesão da Ryanair e se aderirem todas as low cost só sobe para 8 milhões. É só fazerem as contas, mas se assumirmos para Frankfurt atualmente 3385 empregos por exemplo, então para o Montijo em 2028 serão 307 empregos diretos e indiretos, dentro da Base não serão mais de 150, se contarem com o pessoal que a ANA/Vinci transfere da Portela, sobram quantos? já agora para quem não conhece: empregos diretos são atividades ligadas diretamente a atividade aeroportuária incluindo as próprias companhias aéreas, os serviços aeroportuários, os serviços de manutenção de aeronaves, o controle de trafego, e todas as atividades ligadas aos serviços de embarque e desembarque de cargas e passageiros. Os indiretos atividades de fornecedores do transporte aéreo, como por exemplo, empregos ligados ao abastecimento de combustível, empresas de facilidades adicionais, e uma variedade de serviços do setor de negócios. Os empregos induzidos incluem todas as atividades que fornecem apoio aos empregos diretos e indiretos, tais como, bancos e restaurantes. É isto que se quer para nós? devo lembrar que o NAL Alcochete estava previsto abrir logo na 1º fase para processar 40 milhões de passageiros ano. Então em Alcochete na 1ª Fase são 40.000 empregos?

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