Jovem do Pinhal Novo relata estórias vividas na Turquia

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Pedro Pinela, jovem pinhalnovense de 23 anos, que se aventurou a realizar uma volta ao mundo, chegou à Turquia e deixa-nos mais uma crónica das experiências vividas e dificuldades ultrapassadas

“Mesmo agora é-me complicado racionalizar o que têm sido só emoções na Turquia. A principiar pela tensão que experimentei na fronteira debaixo de uma tempestade de neve, passando depois por uma ligeira extorsão num “bar” do terminal de autocarros, só Ozgün me fez virar a página cinzenta que cismava em não terminar. Com ele dei os primeiros passos certeiros

Nos dias anteriores, pedi por estadia a meia-dúzia de pessoas por um site na Internet; metade delas aceitou-me em sua casa sem custos, porém, não consegui chegar no dia combinado nem no seguinte: primeiro por ter falhado a minha tentativa de boleia, depois pelo atraso de 6 horas do autocarro que ficou bloqueado na estrada gelada. Resultou isto em que fossem 4 e meia da manhã e estivesse remetido ao plano b.

Uma noite no hostel mais barato de Istambul são 7 euros que, multiplicando por 3, foi quanto paguei no total. Repare-se, se houver surpresa em relação a este preço, que um dos famosos kebabs turcos chega a custar o equivalente a 1 euro (4 liras turcas) e um chá 0,25 euros (1 lira turca), aproveitando para dizer que os cafezinhos do costume acabaram e é este “çay” que vigorará nos próximos meses. Não me importa quase nada, na medida em que, como qualquer português apreciador e privado de café, eventualmente lhes sentirei a falta.

Seja como for, depois de recuperar o sono perdido pela directa que o primeiro dia exigiu com uma longa sesta ao princípio da tarde, sou convidado pelo Selçuk (um dos que me aceitou em sua casa pela web e com quem mantive contacto) para um jantar de aniversário de uma amiga sua. O jantar foi numa das zonas mais movimentadas da cidade e conhecida pela sua vida nocturna.”

Todos a dançar

“Bem, lá fui dar com o sítio e com uma longa mesa habitada por perto de 20 pessoas, no final da qual se sentava o meu anfitrião. Cumprimentei os presentes, os meus parabéns à já tocada aniversariante e encetámos conversa finda após três horas. Todos olhavam, apontavam, comentavam com Portugal nas suas frases para um desconforto meu de difícil descrição. Fazia a mínima ideia de como interpretar todo aquele protagonismo de anónimo inesperado. Finalmente chamam-me e vou parar ao centro da mesa a fim de satisfazer um número impossível de contar perguntas.

Os músicos que vagueavam pela sala entusiasmam-se, o meu interlocutor, movido a raki (espécie de aguardente com um travo a anis, idêntico ao oúzo grego) interrompe-se, levanta-se e daí a escassos segundos todos dançávamos com estalinhos de dedos e palmas misturados. A aniversariante duplamente tocada ria-se da minha coreografia improvisada.

Acaba a noite tardíssimo. Nos dias seguintes havia de visitar as mais grandiosas mesquitas da cidade, o palácio real, tentaria assistir a um jogo do Fenerbahçe sem sucesso, e conhecido um tipo de Singapura, um da Malásia, um americano californiano, um australiano, uma do Quirguistão, um francês e um casal de brasileiros.

Quatro dias em Istambul antecederam a viagem até Sinop. Samsun, Trabzon e Artvin seguem-se à base de boleias, verão!”

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