O Chuck Norris, o Jachie Chan e o Zé Povinho entram num bar…

Opinião

“Quando os malvados, meus adversários e meus inimigos, se chegaram contra mim, para comerem as minhas carnes, tropeçaram e caíram.”
Salmos 27:2

“Porque no dia da adversidade me esconderá no seu pavilhão; no oculto do seu tabernáculo me esconderá; pôr-me-á sobre uma rocha.”
Salmos 27:5

Versículos de Batalha na Bíblia

Toda a gente sabe que eu e João Soares somos apreciadores de uma boa cena de pancadaria. Disso e de mulheres nuas. Deixemos, por agora e a muito custo, as mulheres nuas. Até porque no caso do ex-ministro da cultura só temos certezas de que gosta de um bom par de galhetas.

Talvez o leitor menos atento não tenha reparado, mas voltou a ser notícia por estes dias o espancamento de dois irmãos iraquianos, filhos de embaixador, a um jovem de Ponte de Sôr. Segundo algumas informações, a família do jovem agredido chegou a acordo financeiro com o pai dos agressores porque, segundo o advogado da vítima, “ a vítima considera-se reparada do ponto de vista indemnizatório e moral”. Finalmente alguém profere uma declaração sensata sobre espancamentos. Há uma diferença importante entre um vítima sentir-se reparada do ponto de vista moral e uma vítima sentir-se reparada do ponto de vista indemnizatório e moral, pois só este último estado de espírito de uma vítima leva a concluir que a vítima caminha para a reparação total. No fundo, trata-se de um convite para a vítima levar nas trombas.

Alerto o caro leitor que não se trata de levar pancada à balda. (Até porque estamos a falar de pessoas oriundas do Iraque e, como se sabe, nada no Iraque é deixado ao acaso) Estamos na presença de um espancamento que sim senhor. Atente no resumo: uma pessoa está alegadamente sossegada e minutos depois quase falece com uma sova. Mas atenção, não é um quase falece qualquer. É um quase falece que ainda vai para cinquenta e dois mil euros de indemnização, pelo que peço que me forneçam o contacto destes miúdos, por favor. Preciso de trocar umas mobílias lá de casa com urgência.

Depois de analisar profundamente este caso, considero que existem duas agradáveis conclusões: a primeira é que os filhos do embaixador do Iraque ainda são uns miúdos carotes a bater. O que nos leva a deduzir que executam espancamentos com alguma qualidade, tendo em conta o valor da indemnização. O que é de louvar, pois estávamos fartos de mão-de-obra barata e de qualidade duvidosa. É coisa para orgulhar um pai.

Muitos especialistas falam, mas nunca ninguém perguntou a quanto está o espancamento. Os estudiosos destes assuntos dizem-me que está mais caro do que ir ao talho. No fundo, esta família percebeu o essencial: uma alegada tentativa de homicídio ao filho é mais compensadora e reconfortante do que comer um bife da alcatra, pelo que é preferível comer nas ventas. E esta é a segunda conclusão.

Santana Maia Leonardo, advogado da vítima, sublinhou ainda que se trata de um “valor justo”, tendo em conta que Rúben Cavaco vai recuperar a 100% e não ficará com “sequelas físicas” da agressão perpetrada pelos filhos do embaixador iraquiano e que foi possível obter o entendimento entre “pessoas inteligentes”.

É possível que seja a primeira vez que as expressões “agressão” e “pessoas inteligentes” apareçam na mesma narrativa. O que me deixa orgulhoso. Só por isso já valeu a pena o espancamento.

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