Mário Soares

Opinião
Renato Goncalves

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Militante do PS
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A morte de Mário Soares tem, estou certo, para grande parte do povo português, o mesmo significado e simbolismo da morte do Presidente De Gaulle para os franceses, o homem que resistiu, organizou a resistência francesa ao nazismo e ergueu a França soberana, e bem assim da morte do Presidente Eisenhower para o povo norte-americano, homem que derrotou militarmente o nazismo e que comandou a libertação da Europa ocidental do jugo nazi na Segunda Guerra Mundial.
Para mim, Mário Soares foi, indubitavelmente, o ídolo e o herói da minha infância e da minha adolescência.
É a Mário Soares que devo, e estou-lhe muito grato por isso, sempre estarei, o quadro de valores fundamentais que perfilho, defendo e tento valorizar e praticar: a Democracia; as Liberdades, todas; os Direitos Fundamentais; as Garantias políticas, administrativas e jurisdicionais; o Estado de Direito; a Integração Europeia e Comunitária de Portugal; a Paz e a Cooperação nas Relações Internacionais; o Estado Social; a Economia Social de Mercado; a dimensão atlântica de Portugal; a importância da Língua e da Cultura Portuguesa; o respeito, a tolerância e a civilidade na divergência política e na diferença de opinião, sempre com cordialidade e consideração por quem exprime opinião diversa da nossa.
Com Mário Soares, mantive sempre e apenas uma diferença que reputo de relevante: ele era agnóstico; eu, Cristão católico apostólico romano.
Agradeço-lhe a dignidade e a forma como sempre tratou a Igreja Católica Portuguesa e os católicos portugueses.
A forma como, sendo agnóstico, se relacionou com o Senhor Cardeal Patriarca Emérito Manuel Gonçalves Cerejeira, que visitou após a Revolução, já como Ministro dos Negócios Estrangeiros do I Governo Provisório, a participação no seu funeral, a defesa da Rádio Renascença, o modo como recebeu em Portugal São João Paulo II, e a forma como sempre se referiu ao Santo Padre, revelam a grandeza moral e a dimensão cívica maior de Mário Soares.
Recordo, com saudade e emoção, os momentos em que ainda criança me cruzei diretamente com Mário Soares, no Montijo, mas também no Barreiro e em Setúbal, a vibrante campanha para as Legislativas de 1983, e a difícil campanha presidencial de 1986.
Jamais esquecerei, já adolescente, a campanha presidencial de 1991, com um grande jantar e um grande comício em Setúbal.
Jamais esquecerei a antiga sede do PS Montijo, na Praça da República, onde hoje funciona um estabelecimento bancário, os primeiros tempos na nova e atual sede e os percursos das campanhas eleitorais no Montijo, em Alcochete, na Moita, em Palmela, no Barreiro e em Setúbal, com o meu Avô materno a conduzir o Renault 5, primeiro, e o Renault 9, depois.
Por razões de idade (nasci em 1975), só por duas vezes tive ocasião de votar em Mário Soares: na eleição do Parlamento Europeu, em 1999; e na Eleição do Presidente da República, em 2006.
Foi o exemplo e a referência de Mário Soares que despertaram o meu interesse e o meu gosto pela Política e que me motivaram a participar de forma ativa na Política, aderindo à JS e ao PS, e servindo o meu Partido, o Concelho onde nasci e, por momento breve, também, a República e o Estado.
Estou certo que Portugal e os Portugueses saberão sempre honrar o seu Legado, como Democrata e como Estadista.

Obrigado Camarada Mário Soares. Até sempre.

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