Setubalense autor do blogue “O Mundo a Meus Pés” promove maravilhas da cidade e da região

SETÚBAL. Mário Cruz nasceu no Bairro Santos Nicolau e confessa que a cidade é uma inspiração para escrever
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O rio e a serra, os miradouros da cidade, os bairros, as gentes e o turismo de Setúbal são as estrelas maiores de “O Mundo a Meus Pés”, blogue da autoria de um setubalense que aos 15 anos fez a sua primeira viagem e desde então nunca mais parou. Hoje com 36 anos, Mário Cruz autodescreve-se como um “apaixonado pela vida, intuitivo, corajoso e pai”. Já visitou Espanha, Sérvia, Bulgária, Hungria, Turquia, Reino Unido. Mas é Setúbal, onde nasceu, que mais o apaixona. O blogue foi nomeado em 2016 para o prémio Novo Talento – Blog Revelação da nova rede social portuguesa Younik e tem projectado Setúbal em toda a blogosfera. “É um caminho” que começou em Março de 2016 e onde Mário Cruz quer chegar mais longe.

 

 

DIÁRIO DA REGIÃO: O que é que o apaixona em Setúbal?

Mário Cruz: Os setubalenses têm uma maneira muito própria de ser. Além de achar que são pessoas honestas, trabalhadoras, amigas do amigo e próximas umas das outras, identifico-as como pessoas apaixonadas pelas suas origens e pelos bairros onde vivem. Depois, Setúbal tem um património paisagístico e histórico como poucos. Uma serra a cair dentro de água, como a nossa Arrábida, não se encontra em todo o mundo. O próprio centro histórico é um espelho das nossas maravilhas, desde o miradouro ao Convento de Jesus, passando pela porta de São Sebastião, o Palácio Fryxell, a Igreja de Santa Maria, há sempre segredos por descobrir.

 

O mundo que tem aos pés começa por Setúbal…

Sim, eu nasci no Bairro Santos Nicolau e sou um apaixonado por Setúbal. A cidade é aquilo que me desperta mais para a escrita. Há certas zonas que ainda não estão muito desenvolvidas turisticamente, e que as pessoas não conhecem, então acho importante divulgá-las. Quando viajamos noutros países visitamos sempre os bairros típicos das cidades, e depois em Setúbal os turistas centram-se muito no centro histórico e na serra da Arrábida. Quero mostrar mais de Setúbal e numa perspectiva histórica, como já fiz com o bairro das Fontainhas, por exemplo.

 

A história das cidades é o que mais gosta de conhecer quando viaja?

Gosto de conhecer o local onde estou e de sentir aquilo que realmente faz mexer a cidade, como os cheiros, o movimento, o barulho, o silêncio. Gosto de me sentir um local nos sítios que visito. Para mim, viajar também é um acto introspectivo, dá para pensar e para a pessoa chamar-se a si própria. Claro que não deixo de visitar os locais mais turísticos. A gastronomia é outra das experiências que retiro: gosto de visitar bons hotéis e de comer bons pratos, porque uma viagem também pode ser gastronómica. Agora tenho visitado mais hostels, uma vez que é mais barato e permite maior mobilidade. Sou um viajante de mochila às costas e gosto de conversar e conhecer as pessoas. Acho que todo o mundo é seguro. A Europa é seguríssima, apesar do terrorismo. Não podemos ter medo.

 

Como surgiu a ideia de contar as suas experiências em formato de blogue?

Eu adoro viajar e escrever, então escrever sobre viagens é uma forma de me realizar pessoalmente. É uma coisa que me sai naturalmente. O Mundo a Meus Pés é um espaço onde eu partilho um pouco da minha experiência enquanto viajante do mundo. Quando escrevo sobre Setúbal, divulgo mais os sítios onde comer bem, tendo em conta a nossa gastronomia, e os locais de interesse que identifico como uma referência. Tenho sempre a preocupação de promover a oferta turística de sítios para visitar e comer.

 

A experiência está a correr bem?

Sim. Este blogue está a ser uma surpresa para mim. Tenho conseguido atrair cada vez mais leitores e o facto de o estar na Blogs Portugal dá-me muita visibilidade. É o início de um caminho. O meu objectivo a médio-longo prazo é poder trabalhar só como blogger ou freelancer de viagens. Neste momento, o que queria era pôr uma mochila às costas e abalar. Mas não posso fazer isso, o meu trabalho não me proporciona a oportunidade de viajar.

 

Quando é que descobriu o gosto por viajar?

O meu pai andou embarcado durante muitos anos, como marinheiro e contramestre na marinha mercante, e a minha mãe também chegou a ir com ele. Já o meu irmão também chegou a viajar na barriga da minha mãe. O gosto por viajar está-me nos genes, desde sempre que gosto de viajar. Na verdade, não gosto de estar muito tempo no mesmo sítio. O Mundo a Meus Pés é uma forma de partilhar com os leitores o que eu senti, cheirei, vi, conheci do mundo e do nosso país. Portugal tem muito que ver, é um país riquíssimo.

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