Portos de Sines e Setúbal com investimento de 695 milhões

Últimas

Estratégia até 2026 prevê aprofundamento do canal norte do Porto de Setúbal e alargamento dos contentores no Porto de Sines, com expansão do Terminal XXI e construção do novo terminal Vasco da Gama

 

O novo terminal de contentores do Barreiro, a melhoria das acessibilidades marítimas ao porto de Setúbal, através do aprofundamento do canal de navegação norte para permitir a navegação de navios de calado médio, e o alargamento do Porto de Sines, designadamente a 3.ª fase do alargamento do Terminal XXI, concessionado à PSA, e a construção do novo terminal de contentores Vasco da Gama, são obras incluídas na estratégia do Governo para o aumento da competitividade dos portos portugueses.

O plano estratégico, apresentado ontem em Sines pela ministra do Mar, com a presença do primeiro-ministro, aponta um investimento total nos portos do continente de 2,5 mil milhões de euros, a concretizar até 2026. Esse montante será financiado sobretudo por privados (83%), fundos comunitários (6%) , cabendo ao Estado 11% do total, ou seja, 275 milhões de euros.

Para a região, o documento estima um investimento de 695,2 milhões de euros repartidos por Sines e Setúbal. 670 milhões para o alargamento do Porto de Sines, incluindo já 470 milhões para a 2.ª fase da construção do novo terminal Vasco da Gama – prevendo-se que a capacidade de carga deste porto cresça 130%, para 56,9 milhões de toneladas -, e 25,2 milhões de euros de investimento para o Porto de Setúbal – que deve aumentar a capacidade de carga em 60%, para 4,5 milhões de toneladas.

Quanto ao terminal do Barreiro, é referido no plano, mas não é apontado qualquer valor de investimento ou objectivo de carga. A ministra tem dito sempre que a concretização deste projecto dependerá de interesse e investimento privado.

A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, que fez a apresentação da estratégia, anunciou a criação de 12 mil novos postos de trabalho.

“Temos um resultado muito firme à nossa vista: criar 12 mil novos postos de trabalho até 2030”, disse Ana Paula Vitorino, acrescentando que os portos nacionais são uma peça fundamental do Plano Nacional de Reformas e “cruciais para maximizar a vantagem competitiva da centralidade euro-atlântica de Portugal”.

“Queremos que os portos portugueses sejam um `hub´ fundamental para a internacionalização da economia portuguesa, para criar valor através da captação de mais mercadorias, novos investimentos de apoio ao desenvolvimento de novas plataformas de desenvolvimento tecnológico ligadas à investigação, à inovação, à ciência e à tecnologia, sobretudo relacionadas com os sectores das energias renováveis oceânicas, dos recursos minerais e energéticos, do ambiente, da robótica submarina, da construção e reparação naval e da aquicultura, contribuindo para a obtenção de um sistema sustentável, quer do ponto de vista económico-financeiro, quer do ponto de vista social e ambiental”, disse.

“A nossa ambição é constituir Portugal como um importante polo logístico de excelência na Europa e potenciar os portos como rampa de lançamento nas restantes actividades ligadas à economia do mar”, disse Ana Paula Vitorino, convicta de que a estratégia do Governo irá aumentar e melhorar os negócios relacionados com a economia do mar.

 

António Costa anuncia concurso público para ferrovia

O primeiro-ministro anunciou ontem, em Sines, que o concurso público para o primeiro troço da ligação ferroviária entre Sines e Espanha vai ser lançada em Março de 2017. “Em Março será aberto concurso para a ligação entre Elvas e a fronteira, o primeiro concurso para avançar a ligação do Porto de Sines ao interland ibérico”, disse António Costa.

O primeiro-ministro disse também que “Portugal tem potencial para o crescimento da actividade portuária”, salientando que a fachada atlântica portuguesa está incluída numa rota de comércio global, que constitui uma aposta da China para as próximas décadas.

“Sermos incluídos nesta estratégia significa que temos um enorme potencial de crescer nesta nossa actividade portuária”, disse António Costa, depois de sublinhar o contexto favorável do comércio internacional por via marítima.

“O comércio internacional com base na navegação marítima tem um cenário favorável e Portugal tem uma posição privilegiada. O contexto internacional favorece-nos, porque, sendo nós membros da comunidade ibero-americana, não podemos ignorar uma alteração fundamental que resultou da entrada em funcionamento da duplicação do canal do Panamá, que valorizará, seguramente, as rotas entre o Pacífico e o Atlântico”, disse António Costa.

 

No final da cerimónia, Carlos Humberto, presidente da Câmara do Barreiro mostrava-se satisfeito por o futuro terminal de contentores estar incluído nos planos do Governo. O autarca disse ao DIÁRIO DA REGIÃO ter garantias, “há muito tempo” por parte do primeiro-ministro António Costa, de que a obra é para avançar.

 

Nuno Mascarenhas reivindica A26

Presidente da Câmara de Sines (PS) aproveitou oportunidade de falar na cerimónia, para apresentar um pedido e uma reivindicação. Pediu alteração “urgente” da legislação sobre instalação de empresas, para que zona industrial de Sines (ZILS) possa captar mais investimento, e reivindicou conclusão da A26, troço de auto-estrada que falta para completar ligação de Sines à Auto-Estrada do Sul.

A ministra do Mar aproveitou para chamar a atenção do governante responsável pelas obras. “O Sr. secretário de Estado das infra-Estruturas está presente, espero que tenha tomado nota”, disse Ana Paula Vitorino.

 

 

Deixe uma resposta