Alcácer do Sal aprova voto de pesar pelo falecimento de Fidel Castro

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PS votou contra por não concordar com o texto que apresenta líder cubano como “personalidade universalmente reconhecida”

 

A Câmara Municipal de Alcácer do Sal aprovou, na última reunião do executivo municipal, um voto de pesar pelo falecimento de Fidel Castro, o líder revolucionário e estadista cubano, desaparecido dia 25 de Novembro, aos 90 anos de idade.

O tema gerou controvérsia entre CDU e PS, os únicos partidos representados na vereação, com as eleitas socialistas a votarem contra por não concordarem com a redacção da proposta apresentada pelo presidente da Câmara.

O texto, lido por Vítor Proença (CDU) é muito semelhante ao voto de pesar aprovado na Assembleia da República, onde o PS votou favoravelmente.

“Para além de naturais diferenças de opinião que possam existir quanto às suas convicções ideológicas, Fidel Castro foi uma personalidade cuja dimensão foi universalmente reconhecida não apenas pelos que partilham do seu ideal e projecto de construção de uma sociedade mais justa e solidária, mas também pelos mais diversos estadistas e dirigentes ao nível mundial.”, refere o voto aprovado pela autarquia.

As vereadoras socialistas presentes na reunião, Isabel Vicente e Isabel Marçano, não concordaram. “Fidel castro é realmente uma figura ícone mundial mas não pelas melhores razões”, afirmou Isabel Vicente, acrescentando que líder cubano “instaurou a pena de morte e executou muitas pessoas”.

Isabel Marçano reagiu de forma idêntica. “É uma figura universalmente reconhecida por quê e por quem?”, questionou a vereadora do PS, concluindo que Fidel “criou um regime não democrático”.

O voto aprovado pela Câmara Municipal, e que vai ser enviado para a Assembleia Nacional de Cuba, sublinha que “Fidel Castro consagrou a sua vida aos ideais do progresso social e da paz, dirigindo a luta que pôs fim à ditadura de Fulgêncio Batista em Cuba, em 1959, e mobilizando o povo cubano na construção de uma sociedade socialista, tendo enfrentado, desde 1962, o bloqueio económico, financeiro e comercial imposto pelos EUA ao seu país”.

“Fidel Castro foi um amigo do povo português, tendo-se empenhado no desenvolvimento das relações de cooperação e amizade entre Cuba e Portugal. A sua participação na Cimeira Ibero-americana realizada no Porto em 1998 foi uma expressão significativa dos laços de amizade e solidariedade que mantinha com o povo português.”, lê-se ainda no documento.

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