Congresso do PCP: Jerónimo de Sousa reitera necessidade de renegociar a dívida

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Congresso do PCP, em Almada, terminou este domingo. Aumento do Salário mínimo para 600 euros já em Janeiro é uma das prioridades assumidas pelo líder comunista

 

O secretário-geral do PCP reeleito insistiu este domingo na necessidade de Portugal renegociar a dívida e libertar-se da “teia” do euro para poder crescer economicamente, no encerramento do XX Congresso comunista, em Almada.

“É uma luta e convergência em torno de uma política concreta. Reafirmamos, em síntese, o conteúdo da política patriótica e de esquerda: libertar Portugal da teia de submissão, dependência e constrangimentos impostos pelo euro, renegociar a dívida e recuperar para o país o que é do país”, afirmou Jerónimo de Sousa, no Complexo Desportivo Municipal “Cidade de Almada”.

O líder comunista, com renovado mandato presumivelmente até 2020, referia-se à protecção de “recursos, sectores estratégicos”, bem como “ao direito inalienável ao desenvolvimento e criação de emprego”, incluídos na “política patriótica e de esquerda” preconizada pelo PCP.

“Pôr Portugal a produzir, com mais agricultura, mais pescas, mais indústria, apoiando pequenos e médios empresários, valorizando trabalhadores e salários, com direito à saúde, educação, cultura e protecção social”, foram outros argumentos apresentados à plateia de cerca de 3.500 apoiantes, com bandeiras do PCP e de Portugal.

Jerónimo de Sousa salientou “algumas das prioridades da intervenção próxima” do seu partido – “aumento dos salários e fixação do Salário Mínimo Nacional em 600 euros, em Janeiro próximo; a alteração de aspectos gravosos da legislação laboral, com revogação da caducidade da contratação colectiva; o combate à precariedade e aplicação do princípio de que a um posto de trabalho permanente deve corresponder um vínculo efectivo”, ao mesmo tempo que defendeu Serviço Nacional de Saúde, escola e transportes públicos e a cultura.

“É inaceitável que nos queiram atirar enquanto povo e nação para o gueto do empobrecimento, dependência e negação dos direitos de Portugal ao seu desenvolvimento soberano. Inaceitável que todos os anos sejam retirados mais de oito mil milhões de euros aos recursos públicos só para pagamento de juros da dívida para manter o privilégio e, no final de cada ano, a dívida se encontrar exactamente na mesma”, lamentou, num discurso de cerca de 15 minutos.

 

PS elogia “tranquilidade” mas demarcar-se de posições comunistas

A secretária-geral adjunta do PS e deputada eleita por Setúbal afirmou que o congresso do PCP revelou o clima de “tranquilidade e paz social” do país, mas demarcou-se dos comunistas ao rejeitar em absoluto uma saída de Portugal do euro.

Posições assumidas por Ana Catarina Mendes no final do XX Congresso do PCP, em Almada, que se encontrava acompanhada pelo membro do Secretariado Nacional do PS Porfírio Silva.

“Creio que este congresso revelou aquilo a que temos assistido no país nos últimos tempos: Tranquilidade, paz social e convergência naquilo que é essencial. O PCP soube responder ao repto do PS para encontrar uma solução de Governo e tem apoiado essa solução de Governo em nome do princípio maior da melhoria das condições de vida dos portugueses”, declarou Ana Catarina Mendes.

Logo a seguir a esta nota de convergência, a secretária-geral adjunta do PS demarcou-se de uma das conclusões mais importantes deste congresso do PCP, em que foi reafirmada a defesa da saída do euro.

“No PS, continuamos a acreditar no projecto europeu – um projecto de partilha entre os povos e os Estados na Europa. Para o PS, não está em cima da mesa nem a saída do euro, nem a saída do projecto europeu. Continuamos a defender a necessidade do reforço da Europa”, vincou a secretária-geral adjunta do PS.

 

PSD critica “encenação”

O deputado do PSD eleito por Setúbal  Pedro do Ó Ramos considerou que o discurso “mais duro” do PCP no XX Congresso foi uma “encenação” e que na realidade os comunistas são “o grande bastião” do Governo PS.

“Este congresso trouxe um discurso relativamente duro aqui dentro mas a verdade é que o PCP é de facto o grande defensor, é o grande bastião do Governo, até mais do que o Bloco de Esquerda. Se aqui fala mais grosso a verdade é que no parlamento aprova praticamente tudo [das propostas do Governo]”, disse Pedro do Ó Ramos.

O deputado e membro da Comissão Política do PSD integrou a delegação dos sociais-democratas ao encerramento do XX Congresso do PCP, saudando a eleição dos órgãos executivos e do secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa.

Quanto ao discurso político, o deputado considerou que “há alguma encenação” porque no parlamento o PCP “não se tem importado com o fraco crescimento económico”.

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